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Pesquisadora na area da mediunidade? Sim, mas mãe de criança pequena, produtora rural, portanto sem tempo, exausta. Não dá para ter comentarios, edições, produção de video, formatação, etc. email psychictaboo@gmail.com

Sunday, November 12, 2023

Aurora da vida na lua maternidade

 


Era uma noite comum. A cor negra das rochas com seu brilho molhado fazia as montanhas ainda mais belas de se olhar. A rajada de fogo que soprava na aurora daquele dia estava como sempre. O brilho vermelho com suas nuances em laranja e amarelo ouro como que despencavam céu afora, mas sem modificar o rubro do horizonte tão familiar para os moradores da lua.

Dentro de uma das muitas cavernas que existem no sem fim de montanhas, um casal da raça que habita esse mundo está passando por um dos momentos mais intensos de suas vidas, embora não fosse a primeira vez. São criaturas de grande proporção, beirando os quatro metros de altura, cuja pele marfim reluz maciamente ao olhar. A fêmea tem uma cabeleira farta, vermelha como a aurora dessa lua,seus olhos são claros, é uma figura extremamente forte, mas encantadoramente delicada, seu nome é FAH. Seu marido, BÔ, é da mesma altura e porte, embora mais forte, e em tudo parecido com ela, menos pelos cabelos. Em seu lugar, dois chifres três vezes curvados, mostram que está no auge da maturidade. Não há roupas cobrindo seus corpos, uma faixa envolve a cintura dilatada da fêmea e um cinto com uma espada é só o que veste seu marido.

Ele olha com muito carinho e preocupação para sua esposa que está reclinada sobre um patamar dentro da caverna, da mesma pedra negra e brilhante que se enxerga nas montanhas do lugar. Ela se contrai com regularidade, em alguns momentos olha para BÔ e seus olhos sorriem, “está dando trabalho”, explica mentalmente, “mas eles estão bem”. Seu marido retribui um olhar encantado para ela. BÔ está esperando a hora de fazer a sua parte, que chega quando FAH contrai seu imenso corpo de forma violenta. Dentre suas pernas escorre uma bolsa de cor cinza chumbo. Algo se mexe dentro dela e a estoura, vazando um líquido negro viscoso e duas criaturinhas cujas pernas estão unidas por uma membrana. Carregarão a marca da união para sempre.

BÔ, agora pai, os limpa com as mãos, sem os tirar do chão, pois as rochas absorvem todos os mucos que saíram com os dois bebês. A pequena fêmea é a primeira a tossir e abrir os olhos. Como que chamando para a vida, ela grita para o pequeno macho, ainda atado a ela pelas pernas. Este abre os olhos inseguros e tosse. Assim que as rochas terminam de absorver os líquidos,o pai os ergue e os segura junto a seu peito. Ficarão lá pelo tempo que estiverem unidos pelas pernas. Seus movimentos são confusos, estão surpresos com a luz que enxergam. Eles se olham pela primeira vez, suas pequenas mãos curiosas tocam o pai e um ao outro. Os recém nascidos se maravilhavam, como se não soubessem que eram dois e não um só.

FAH ainda está reclinada, seus olhos estão fechados, o parto ainda não se completou, ela expulsa líquidos que são absorvidos pelo solo rochoso, solo esse que parece cuidar de FAH como se fosse uma parteira invisível. A membrana que une as pernas dos pequenos começa a se desfazer lentamente. BÔ está muito feliz em segurá-los e olha para FAH com intensidade. Os gêmeos parecem com os pais em tudo, são miniaturas idênticas: a femeazinha semelhante a mãe e o irmão, ao pai, mas sem os chifres. A única diferença é que eles são azuis, sua peles não tem a cor da dos pais, nem o cabelo, ainda molhado, da filha é vermelho, mas azul.

Ali, enquanto FAH se recupera do parto, ela se lembra de como foi a concepção. O tempo de procriar havia chegado e amar seu compaheiro era aquilo que a movimentava estes milênios todos. Mas isso requeria um esforço maior, pois as fêmeas geravam clones femininos e os machos clones masculinos. Assim, enquanto ela formava um feto fêmea com a união de BÔ, ele também passava pelo processo de gerar um feto com o fator dela. Ambos ficavam muito vulneráveis nesse período, então permaneciam dentro da caverna que escolheram para a criação dos filhos. Não era a primeira gravidez que gestavam, mas sua espécie procriava uma vez em milênios, então havia muito tempo que isso não ocorria. Ambos agora eram mais velhos e experientes.

Sabiam o motivo dos bebês serem de cor diferente e ela não pode evitar a lembrança do dia em que a gravidez havia sido afetada com aquela inesperada contaminação. Ninguém sabia como lidar com os machos da nova espécie que havia sido trazida para a lua. Não imaginava encontrar um deles e quando aconteceu não pode se defender como faria, usando o bastão que havia sido o pesadelo de vários machos inexperientes e atrevidos. Se colocasse sua conhecida ferocidade na luta, perderia os gêmeos e BÔ não poderia estar com ela por muito tempo. Agora, vendo sua família, não se arrependia de ter entregue o combate. Contudo, os filhotes nasceram com traços da contaminação vinda daquele macho estrangeiro.

Voltou seu pensamento para quem amava desde sempre. Gostava de ver BÔ gerar, o momento da mudança do feto do corpo dele para o dela, onde terminaria de se desenvolver junto de sua irmã, era muito delicado. BÔ era tão amável, tão preocupado em que tudo desse certo que era difícil crer que tamanha criatura, capaz de combates tão ferozes, pudesse ser pai tão carinhoso. Seus recém – nascidos veriam isso claramente, com o passar do tempo.

Quando BÔ percebeu que FAH havia se recuperado um pouco, colocou os gêmeos, cujas pernas agora haviam se separado, em cima de seu ventre. Ela abraçou os filhos e pode olhá-los com cuidado. Chamou-os NA, a pequena fêmea e ZU o pequeno macho. Os olhos de ambos observavam a mãe com curiosidade. Mamaram nos seus seios e dormiram seu primeiro sono da mesma forma como se posicionaram dentro do seu útero e o fariam para todo o sempre: ZU envolvendo NA com os braços, ela recostada em seu peito.

Em outras muitas cavernas das montanhas, vários casais já estavam com seus filhos no colo e alguns ainda no processo de parto. Todos eles se assemelhavam, em tamanho e aspecto, com FAH e BÔ, mas alguns eram de cor diferente, e suas crianças, mesmo nascendo com as pernas unidas, tinham cores que não o azul. Alguns eram verdes, outros púrpuros, mas todos eles cópias idênticas aos pais, todos eles casais gêmeos. Aquela aurora foi a da produção de uma nova geração de seres daquele mundo

Não eram muitos, em comparação ao tamanho da lua, pois a raça era extremamente dispendiosa  para o local e para os outros povos. Eram criaturas que exigiam muito espaço físico para se desenvolver e quantidades enormes de energias do local aonde habitavam para manter sua vida. Eram belicosos também, embora não soubessem o que guerra significasse.

Por muito tempo os bebês não sairam das cavernas, que como eram extensas e seguiam montanha adentro, não faziam com que se sentissem aprisionados. O desenvolvimento era lento, mas FAH estava contente em ter filhotes de novo, e não sentia pressa em levá–los para fora. BÔ está muito satisfeito com o aspecto de FAH, isso o fazia sair para o Conselho com mais alegria. Não se preocupava com a segurança deles, pois mesmo os poucos que poderiam se interessar em entrar nas cavernas, não o faziam quando sentiam o cheiro das crias. Todos no lugar conhecem as histórias sobre a defesa das mães quando se sentiam ameaçadas e FAH tinha um reação surpreendente. Ele mesmo poderia sair muito machucado se ela sentisse algum tipo de ameaça, pois quando uma fêmea deles está em posição de defesa, não escolhe quem irá atacar. Machos maiores e mais velhos que ele carregavam, com orgulho, cicatrizes de dias ruins com suas fêmeas. Não queria ter que se defender dela, daria muito trabalho.

FAH e BÔ saiam da caverna por vezes, para se reabastecer de um mineral vital à sua espécie e do qual se alimentavam em intervalos regulares. Fora isso, não havia outra fonte de alimentação. Suas energias eram supridas diretamente da atmosfera que, embora rarefeita, os envolvia. Nas ocasiões que os pais saiam, ZU cuidava de NA, e, como sempre faria, vigiaria cada passo de sua irmã. Sim, pois NA mostrava, como todo filhote de todas as espécies do Universo, o seu caráter bem cedo. Ela era a parte ativa e curiosa dos gêmeos, nunca está muito quieta, sempre se movimenta e sempre o faz com rapidez. Mesmo antes de poder andar com segurança ela já tentava seguir ruídos, ou sombras. ZU era calmo e quando se movimentava o fazia lentamente, como se precisasse avaliar cada passo. Mas seus olhos se mexiam muito, pois não deixavam de seguir a irmã, e nas ocasiões em que a perdia de vista, gritava até FAH aproximá-los novamente. Sempre que NA pulava pelo corpo da mãe, seu irmão observava com prazer estampado em seus olhos, mas não fazia o mesmo. Sua natureza era passiva e seria assim para sempre, mesmo quando houvesse embates, e estes seriam menos agressivos e rápidos que o da irmã. Assim era a espécie e assim sempre seria. Ficava satisfeito em sentir as energias que NA produzia, era dela que vinha o que sentia do mundo, era ela que recebia e transmitia para ele.

Todas as espécies nativas desta lua tinham apenas um meio de digestão que se dava por contato direto com o que os circundava. Com exceção dos minerais que precisavam colher das ‘rochas que choram’, como as chamavam, não precisavam de mais nada. Como forma de expelir os excessos do que digeriam, os casais gêmeos se abraçavam na posição em que nasceram e permitiam que os diferenciais se igualassem, que as poucas energias de um fossem preenchidas pelas que estavam em excesso no outro. Assim, todos da raça ficavam em posição de conforto tantas vezes quantas precisassem para se equilibrarem.

BÔ abraçava sua filha mas ela só permanecia quieta quando seu irmão o fazia. Ela sempre achou seu pai muito grande, e se divertia, quando em seu colo, colocando suas mãos no rosto e nos chifres dele. Os olhos de ambos brilhavam tanto que chegavam a soltar faíscas. FAH também abraçava seu filho, mas isso só enquanto bebê, pois as energias eram mais bem distribuídas com a fêmea no centro. O abraço da mãe causava cócegas em ZU e o fazia mexer-se muito, o que era mais estranho ainda para ele que se movimentava lentamente, e causava riso nos pais, que ele entendia muito menos.BÔ também tinha passado por isso na infância.

Na primeira vez que saíram todos juntos da caverna, as crianças já não eram bebês e suas alturas atingiam os joelhos dos seus pais. Estavam curiosos, a pequena andando e mexendo em tudo, o irmão atrás dela surpreso com a grande diversidade de sensações e energias que experimentava. Sentia prazer em ver a felicidade da irmã com o mundo novo que se abria para eles.

Era exatamente assim para os outros gêmeos da espécie. Podia acontecer de a fêmea ser passiva e calma e o macho irrequieto. Muito dificilmente havia partos de mais que gêmeos. Isso gerava muita confusão, pois os irmãos e irmãs seriam extremamente belicosos e brigariam muito entre si, dando muito trabalho para os pais e para a sociedade, tendo que ser separados ainda bem jovens e criados por outras espécies que não tinham filhos na mesma época.

Então houve um período, também longo, onde a infância desse casal de gêmeos era feita de caminhadas de inspeção, idas as rochas que os supriam de minerais e brincadeiras na caverna enquanto BÔ ia ao Conselho. FAH não ia, pois as fêmeas em período de gestação e de criação se afastavam do grupo. Como todas procriavam ao mesmo tempo, não havia um Conselho nessas épocas, para as fêmeas. As idas aos locais das “rochas que choram” era muito agradável para todos os filhotes, pois podiam se olhar, embora não gostassem de se tocar. Não brincavam, apenas ficavam se olhando e observando os pais se alimentarem. Essas rochas eram negras como todas, mas suavam um líquido que cristalizava e assim era consumido por todos os adultos. As crianças apenas mamavam, então, ao acompanhar os pais, apenas observavam.

Alguns filhotes verdes apresentavam pelos em seus ombros. Eram macios e arrepiados. Todo adulto tinha a cor da pele branca, só se podia ver a diferença das raças pelos filhotes. O que se via em comum era que a beleza envolvia a todos. Seu porte e movimentos faziam o quadro todo ser uma agradável visão para os quem os observava sem interferir.Uma outra espécie acompanhava de perto os casais daquela lua Eles eram um povo diferente, cujos seres não eram tão altos e fortes, mas delicados e pequenos. Todos rodeados por um campo de luz branca translúcida. Cuidavam para que os habitantes daquela lua, e de muitas outras, não fossem perturbados em seus momentos de procriação. Apenas observavam, não causavam incômodo, eram uma presença conhecida dos pais e mães e não dos filhotes porque ainda não era o tempo.

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