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Pesquisadora na area da mediunidade? Sim, mas mãe de criança pequena, produtora rural, portanto sem tempo, exausta. Não dá para ter comentarios, edições, produção de video, formatação, etc. email psychictaboo@gmail.com

Saturday, November 11, 2023

Povos do Facho De Luz e os campos de maturidade

 


Mas o tempo de conhecer o povo do Facho De Luz chegou. Aconteceu quando NA viu, da entrada da caverna, uma forte luz no horizonte. Essa luz emitia um chamado. Não era um som audível mas todos na caverna sentiram a convocação. FAH e BÔ se olharam, esse era um bom sinal, ficaram satisfeitos, porém ansiosos. Para lá se dirigiram, saidos de suas respectivas cavernas, todos os pares do lugar. A família de FAH caminhou longo tempo por entre as montanhas até um planalto abaixo delas. Ali, uma grande lona vermelha, de proporções gigantescas, se estendia, sem sustentação, a dez metros do solo. Embaixo da lona estavam todos os casais com seus respectivos filhos. Todos olhavam para um imenso buraco de onde saia um facho de luz intensa. Muitos estavam ajoelhados, outros em pé, mas todos imóveis e olhando fixamente para a luz. NA enlouquecia de curiosidade, provocando preocupação no irmão que, para acompanhá-la, tinha que se movimentar com uma rapidez da qual não gostava. ZU sentia que precisava proteger sua irmã, pois havia uma energia muito forte vinda através de NA e isso não seria bom para ela, se ficassem ali muito tempo.

Quando ZU viu a irmã se deslocando por entre todos, para chegar perto do facho de luz, procurou, com os olhos, pelos pais. Estes o olharam com muita calma, como se ali estivesse algo bem conhecido deles e importante. Também diziam para ir com ela. Foi o que bastou para se mover como nunca havia se movido – com muita velocidade.

NA estava bem perto do buraco, quando ZU se aproximou dela. Ali ela percebeu que toda aquela experiência era demais para ela e procurou o conforto dos braços de ZU para equilibrar suas energias. Enquanto estavam assim, algo na luz se moveu e um som se fez ouvir pelo planalto. Seres muito luminosos e longilíneos saíram de dentro dela e envolveram, em círculo, os dois, que buscaram, intrigados, os pais com olhar. Eles também ficaram envolvidos pela luz e estavam muito felizes. Seus filhos estavam maduros para outra etapa.

FAH e BÔ conheciam os seres que habitam o Facho de Luz. Eles eram os mensageiros de muitos planetas. A luz era o seu meio de transporte e de todas as raças que eles tinham conhecimento. Eram criaturas muito tranqüilas e tinham bom relacionamento com todos os quais FAH se lembrava. Não entendia direito por que só eles eram responsáveis pelo transporte, mas a movimentação entre planetas e dimensões requeria muita habilidade. Era muito bom que os seres do Facho de Luz o fizessem, confiava muito neles e seus filhos confiariam também. Mas, como muitas mães neste Universo, FAH ainda não sabia que um de seus gêmeos não concordaria totalmente com seu ponto de vista.

Foram transportados para um local do outro lado da mesma lua, aonde as planícies pareciam sem fim. NA observou que crescia ali uma grama avermelhada e, passando as mãos curiosas, sentiu como eram tenras. Viu que havia diversos animais que se alimentavam disso e dos arbustos. Ficou muito intrigada e curiosa para saber onde poderiam estar, pois o céu não tinha a faixa vermelha no horizonte. Era mais escuro, e mais difusa a claridade que o iluminava. Não havia cavernas, então dormiram em uma parte da planície onde os arbustos formavam uma pequena floresta. Passariam a dormir menos horas, seus pais também.

Ali os gêmeos perceberam que haviam filhotes mais velhos, nenhum da sua geração havia vindo junto, nenhum havia sido envolvido pelo facho de luz.Seus desenvolvimentos não estavam completos. Portanto, estavam em um ponto daquela lua onde eram as crias mais jovens, e não chegaram a ver as de sua geração, enquanto lá estiveram.

Isso não foi comum, pois, geralmente, todas as crias amadureciam juntas, o que não pareceu motivo de preocupação para ninguém, mas não era comum. Assim, os gêmeos ZU e NA continuaram crescendo e desenvolvendo suas habilidades sob o cuidado amoroso de seus pais. A exploração do ambiente, naquele lado da lua, ensinou os gêmeos a interagir com os outros seres e com a natureza local. Não haviam as “rochas que choram”, mas parecia não haver mais a necessidade da ingestão dos minerais que elas exudavam. A alimentação deles continuava a acontecer naturalmente, da interação com a atmosfera e os filhotes pela amamentação, seus excessos sendo regulados pela posição de conforto entre os casais. Isso foi assim até que veio a puberdade, a conhecida transição para a idade de maturidade física plena, comum em quase todas as espécies de todos os mundos.

Na espécie a qual pertenciam os filhotes nasciam em tudo iguais aos adultos. Embora da mesma espécie, as raças tinham pequenas diferenças físicas que faziam com que não houvesse relação entre gêmeos de casais diferentes, além disso, era da natureza deles não se interessarem uns pelos outros, apenas pelo seu único gêmeo.

A puberdade dos filhotes chegou com o desagradável aumento do ventre. A certa altura, NA observou que o corpo de ZU começava a se modificar e sentia, ultimamente, uma pressão muito grande no baixo ventre. Eles se olharam por muito tempo, com muita suspresa. FAH, ao perceber o que acontecia, chamou BÔ sentindo muita felicidade. Conversaram em linguagem falada, como não faziam há muito tempo, e foi FAH quem disse:

-- A hora do encontro chegou, meu marido. Nossos filhos se reunirão em breve. BÔ olhou com fascinação para os ventres levemente inchados.

-- Era mesmo tempo FAH, será muito bom vê-los nascer de novo. Você acha que eles estão bem?

-- Sim BÔ, eles estão muito bem, mas precisamos voltar a nos reunir. Eles têm que entender que é natural.

-- Sim, nos reunirmos será certo e belo, minha esposa.

Assim, em um dia qualquer, os pais de todos os gêmeos começaram a se unir em longos abraços, o que não acontecia desde o inicio do período de procriação. Como se uma primavera estivesse no ar, os maridos e esposas se uniam por todos os lados na planície e sua ausência causava surpresa aos filhotes. A relação deles era algo que produzia uma cor no ar que maravilhava os olhos. As crias olharam com curiosidade para as nuvens coloridas por algum tempo e depois perderam completamente o interesse, como a maioria dos filhotes do universo faz. As cenas se repetiam por vezes e vezes, ensinando, pelo exemplo, o que em breve os jovens casais iriam ter de passar.

Esse tempo chegou depois de um lento e sofrido período de crescimento dos ventres até o ponto de estarem tão distendidos que toda colônia parecia estar grávida. Aquilo causava grande constrangimento nos filhotes, que se sentiam feios e fora do contexto como qualquer adolescente no universo. Não sabiam que, enquanto pequenos, absorviam os componentes pelo leite da mãe, e a passagem para a idade adulta faria que passassem a absorvê-los direto do ambiente. Essa transição era o que inchava os ventres, e que desencadeava a passagem para a adolescência. Mas, para quem passava por isso, tudo era uma grande e triste confusão. Os pais se divertiam com o desconforto dos jovens e faziam piadas, que não ajudavam a se sentirem menos abatidos. O ritual de passagem chegava quando os ventres, tão dilatados, provocavam dores físicas que os filhotes nunca tinham sentido. A dor desencadeava substâncias dentro de seus corpos que levavam os agora não mais filhotes a se unirem para além da posição de conforto.

Esse dia chegou quando a química desencadeada impeliu os gêmeos, em desespero, um ao outro, num ritual instintivo de passagem e, assim como em muitos outros, deixaram a natureza de sua espécie agir. As gêmeas possuiam um ferrão interno que perfurava o orgão masculino e provocava a liberação do líquido que havia se acumulado em seus ventres, fazendo-o escorrer. O alívio a que isso seguia fazia com que não parassem de se abraçar. Outros casais de gêmeos, de outras pelagens, também liberavam os líquidos das mesmas cores de suas peles. Dessa forma, a planície se tornou uma grande palheta de cores, e o ar ao redor o reflexo de um imenso arco-íris. O líquido, de caracteristicas gelatinosas, permanecia sem evaporar ou ser absorvido pelo solo e, como era muito volumoso, chegava a envolvê-los como numa banheira. Quem os visse, além da beleza das cores, poderia sentir o alívio que presenciavam, e perceber uma espécie de torpor que os tomava como que tornando-os sonâmbulos. Todos os pais observavam de longe, deixando para seus filhos a privacidade de viver um dos momentos mais importantes de suas vidas, assim como eles já haviam vivido num passado distante.

Os habitantes do Facho De Luz, como sempre, os observavam e, para eles, o ritual de acasalamento era a maturidade dessa espécie que eles seguiam a incontáveis milênios. Os campos de maturação eram, no ápice da época de procriação, um evento ansiosamente esperado, porque havia poucos acontecimentos no universo que envolvessem aquele tipo de beleza. Cada casal produzia, enquanto se unia, um som, uma gama de cores, uma fragrância específica. Os casais de gêmeos, naquela que já era uma das planícies mais famosas do universo, por sua paisagem fabulosa, tornava o evento um espetáculo sensorial que, mesmo para quem estava acostumado a isso, como os guardadores do facho de luz, sentia falta nos séculos que se seguiriam até a próxima temporada de procriação.

Como o ventre desinchava lentamente e o torpor ia se diluindo concomitantemente, foram se abraçando, por meses, parando apenas para dormir, o que acontecia dentro dessa bolsa de gelatina que provia alimento, calor e proteção. Eram muitos filhotes se descobrindo, inclusive o prazer e o seu par. Quando começou a recobrar sua consciência, NA ficou surpresa com o que via em ZU. Nunca havia enxergado tão longe dentro dos olhos dele. Ela não compreendia o que via. Era seu irmão de gestação, seu marido agora, mas tinha algo mais que NA não sabia nem mesmo pronunciar. Sendo muito nova, não sabia que estava amando e acordou para essa nova consciencia com as duas mãos no tórax dele, olhando seus olhos e envolta pelo líquido que os dois derramavam.

Estavam ainda deitados quando ZU pronunciou suas primeiras palavras faladas. Ele lhe perguntou:

-- Eu tenho você dentro de mim? – disse com os olhos brilhando.

-- Sim ZU, você me tem dentro de você. Você enxerga onde você está?

-- Sim NA, eu estou dentro de você.

-- Sim, você está. – finalizou devolvendo o mesmo brilho nos olhos.

Nenhum dos dois sequer percebeu que haviam escutado a voz do outro e a própria, pela primeira vez. Estavam muito absorvidos pela surpresa. Também não perceberam que a cor azul da pele deles ia se transformando, conforme o líquido escorria. Ambos estavam ficando da cor dos pais, marfim, e os cabelos de NA agora mostravam o vermelho da aurora do planeta.

Quando o líquido todo foi absorvido, ZU se ergueu e estendeu a mão para sua, então, esposa. Puderam ver que estavam mais altos, mais desenvolvidos e seus olhares mais vívidos. Agora eram dois belos e genuínos representantes da raça a que pertenciam. NA estava com os seios mais fartos e ZU estava bem mais forte. Ela, por toda a eternidade, não se esqueceria da forma como os olhos grandes e claros de ZU se dirigiram à ela, naquele dia. Era um olhar de pertencimento que só aquela relação poderia trazer para toda a eternidade. Não sabiam que a forma como reagiram ao ritual era sem precedentes para a espécie a qual pertenciam. Entenderiam a profundidade disso mais tarde.

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