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Pesquisadora na area da mediunidade? Sim, mas mãe de criança pequena, produtora rural, portanto sem tempo, exausta. Não dá para ter comentarios, edições, produção de video, formatação, etc. email psychictaboo@gmail.com

Saturday, October 28, 2023

O fim do paraíso

 Como prometido, Lilitih foi falar com o casal de humanos. Anjo Belo não acompanhou, porque, embora da mesma linhagem, ele não era humano, mas sentiu bem em levar consigo Metvah, que estava mais agressiva que nunca pois a gravidez a fazia assim. Em momento algum se soube porque Lilitih quis trazê-la, não houve como prever o que aconteceria naquele encontro, mas a presença de Metvah naquele estado foi determinante.

Os quatro se encontraram na grande plataforma do Conselho, a àrvore mais antiga do local. Adam e Evah seguiram o chamado que vinha de lá e encontraram as duas imensas fêmeas esperando. Metvah nunca havia gostado de Adam, um dos piores exemplos de tudo o que detestou na floresta e o contraste que a união com Anjo Belo mostrou à ela só reforçou o quão torto tudo aquilo era. Assim que o viu entrar no salão, puxou-o para si.

Lilitih perguntou a Evah, depois dos cumprimentos feitos:

-Porque você não deixa seu marido lhe passar o fator? Porque vocês não se tocaram ainda?

Evah emitia um estranho padrão de energias. Não era natural nem mesmo para um humano e Lilitih sabia bem, porque ela era um deles. A face de Evah era calma,mas petulante, quando respondeu:

-Nós não precisamos disso.

Embora para quem visse a cena, a reação que se seguiu parecesse imediata, houve tempo de Metvah e Lilitih compartilharem imagens de como isso seria possível se todas as espécies da criação precisavam dos fatores para sobreviver ao ambiente, incluindo eles? E como Evah se atrevia a falar daquele modo se ela mesma e seu Primeiro marido Adam estavam visivelmente sofrendo as consequencias da falta de fator em seus campos, e, para irritar as duas ainda mais, como se atrevia a falar isso se ela sabia que todos tinham conhecimento do erro de padrão deles e que estavam causando disturbios em grande escala?

Aquela resposta foi o fim de uma era.

Metvah, alterada pela gravidez e mais agressiva do que nunca, avançou para Adam e fez o mesmo que um dia havia feito com ZU... forçou-lhe o fator, que nele foi absorvido com grande violência.

Metvah e Lilitih se retiraram como haviam chegado, calmamente, com a majestade que lhes era de direito, sem nenhum perdão, a mesma Lei que Vethusta havia mostrado para NA no Oceano Profundo. Adam, alterado pelo fator de Metvah, tomou sua Segunda esposa com violência e passou-lhe o fator dele e o recém adquirido de Metvah. Quando a troca se completou, todos os habitantes da floresta puderam ver, ao longe, o fogo que desceu dos céus, sem saber o que aquilo significava. Um som grave, baixo e potente ecoou em todo o céu, sentido na pele por todos e, em um átimo de segundo, foi como se todo o ecosistema houvesse sido transportado para um lugar diferente, onde havia menos brilho, menos luz, menos energia, que antes. Os habitantes não compreenderam que o que acontecera era a queda para uma dimensão mais densa e não a mudança de lugar. A vibração de tudo e todos havia sido transformada drasticamente, por razões que ficariam claras centenas de milenios depois. Todos acordaram como de um sonho, sentiam cansaço e dor, não conseguiam focar suas consciências, o peso em seus corpos era uma sensação nova e desagradável.

Esse novo estado da matéria era uma cópia em quase tudo do paraíso que haviam deixado. As árvores não eram tão altas e massivas. Havia uma montanha onde antes era floresta e na base dela habitavam humanos. Eles tinham um corpo diferente dos que NA havia tido contato, incluindo Lilith e Adam, mas os costumes eram os mesmos e estavam em muito maior número, ali. Andavam a esmo, como que dementes e todos os antigos habitantes decidiram fazer o mínimo de contato com eles, depois das consequencias geradas pelo único casal humano que haviam conhecido. Houve um lento mas sensível escurecer das cores do lugar, como se uma sombra lentamente cobrisse tudo. Os antigos habitantes continuavam a ser como antes, seguindo suas naturezas, mas tudo era penoso, confuso, como se a sonolência que todos sentiam provocasse a perda gradual de suas memórias. Pouco foi o tempo de NA e ZU ali.

Os humanos passaram a cobiçar as fêmeas da floresta. Estavam chegando ao ponto da maturidade sexual, mas olhavam outras fêmeas que suas gêmeas e sentiam inveja dos corpos maiores e mais robustos dos outros machos, e isso era motivo de assombro para todos. Ninguém entendeu como se deu o primeiro ataque dos humanos contra o povo da mata, não era uma ação aceitável para nenhuma espécie que haviam tido contato, principalmente sem um chamado.

NA e ZU só perceberam o ataque quando era tarde, muito provavelmente por causa da lentidão que acompanhava aquele sono constante. Os dois estavam em posição de conforto na mesma praia em que chegaram, conversando sobre os estranhissímos acontecimentos e seus sentimentos sobre isso. Quando sentiram o chamado de Jaguar e de outros do grupo, já haviam sido sedados pelo Povo do Facho de Luz, como quando fizeram no Planeta mãe. Naquele exato instante, todos os gêmeos que haviam sido trazidos ao planeta estavam sendo sedados também. Os pares que pertenciam ao planeta lutavam, desesperadamente, para conter o ataque e defender seus maridos e esposas que jaziam inertes aonde haviam caído pelos efeitos dos sedativos.

Perceberam que o motivo do ataque era sequestrar justamente os casais que não eram do planeta. Sentiram maior desespero quando entenderam que o Povo do Facho de Luz estava sedando aqueles à quem os humanos cobiçavam. O povo da mata conseguiu fazer recuar os atacantes para a base da montanha. Jaguar e Aletha lutavam como nunca haviam feito antes. Eram bem maiores que os humanos, mas estavam na desvantagem de dez para um, e, em meio a luta, nenhum deles viu que os que dormiam estavam sendo levados para as naves. Só quando essas cruzaram os céus foi que entenderam. Os humanos também perceberam e fugiram, porque o que queriam não estava mais ali.

Jaguar e o povo da mata correram para onde viram seus pares pela última vez. O desespero era tão forte que seus rostos estavam transformados pela dor. Aletha sentia lágrimas correrem pelo rosto, pela primeira vez em sua, até então, feliz existência. Quando chegaram na praia, Vethusta, Nia e Neruh já estavam lá, vendo os rastros deixados na areia. Jaguar soube, então, que a Segunda esposa, que por tanto tempo havia esperado e que tanta honra havia lhe trazido ao aceitá-lo, havia sido levada, bem como seu irmão, aquele que havia feito Aletha tão feliz. O peso da dor o fez cair de joelhos e a mata ouviu seu rugido, mas, pela primeira vez, de dor. Vethusta tinha o olhar frio como de uma rocha. Havia perdido sua Primeira esposa e, agora, sua Segunda. Não faziam idéia para onde os gêmeos haviam sido levados.

Jaguar e Aletha foram se deitar e trocar conforto, ambos muito entristecidos, mas Aletha havia sentido o golpe muito mais. Ela tinha verdadeira adoração por seu Segundo marido, ZU. Jaguar percebeu que o conforto que ele estava passando não estava sendo suficiente para supri-la de energia como antes da queda, e, depois dessa perda, estava bem pior. Talvez fosse a dor, algo novo para eles, talvez a sensação de peso e as sombras que caiam sobre a mata, não sabia ao certo. Entendeu que não seria fácil aguentar o vazio provocado pela ausência daquela fêmea formidável que tanto bem havia feito à ele. Ela, que havia sido motivo de história em todos os cantos dos reinos, pela dificuldade em aceitar outros machos e seus novos fatores, havia aceitado-o sem luta, com amor e admiração, recebendo seu fator imediatamente após conhecê-lo. Jaguar chorou suas lágrimas junto com as de Aletah.

Vethusta derramou lágrimas junto com todos. Restava sua Terceira e bela esposa, Nia, mas seu lamento foi ouvido por Tétis e o povo de todos os Oceanos, fazendo sua mãe emitir um chamado que ecoou fortemente em todos os lados, e que dizia para ele retornar à casa de sua origem. Olhou para Nia, fêmea forte, como todas suas esposas, sua pele negra brilhando com lágrimas silenciosas correndo em seu rosto. Ela ainda teria seu gêmeo para protegê-la e dar conforto. Nia entendeu o que seu olhar dizia e o abraçou, trocando um último conforto, sem saber quando iriam se ver novamente, mas isso não importava, porque era certo que o fariam.

Despediu-se de todos com um olhar e um aceno de cabeça, tudo ali estava muito triste para despedidas mais longas, e entrou na água. Fez o percurso inverso que os quatro haviam feito para chegar ali, mas agora sozinho. Não foi impedido pelo Povo do Facho de Luz em nenhum momento. Voltou à casa de sua mãe e permaneceu lá. Um tempo interminável se passaria antes que visse NA novamente.

Dias corriam e Aletah percorria as matas sem rumo, observada à distância por seu gêmeo. Estava perdendo a cor dourada que ambos tinham. Isso estava acontecendo com os outros pares de gêmeos que restavam, e as fêmeas estavam sendo sequestradas pelos, agora, odiados humanos. Iam sem lutar, porque a fraqueza as consumia e já não se lembravam totalmente de quem eram. Foi o que aconteceu com Aletha. Um macho humano a violentou, aproveitando seu estado sonâmbulo, em uma relação não permitida, e, para espanto de Jaguar, a engravidou como anjo Belo havia feito com Lilith. Aletah foi levada para onde os humanos habitavam. Depois de dar à luz, foi levada pelo Povo do Facho de Luz.

Foi a vez de Jaguar vagar sozinho pela mata, sem nenhuma de suas esposas e vendo o mesmo acontecer com os da sua espécie. Passou a perseguir e matar humanos, percebendo que eles tinham corpos mortais, e tomou suas fêmeas. Sem suas esposas e concubinas, era isso que aconteceria com todos os machos de seu porte, cedo ou tarde, pela falta de conforto e fator. Os humanos tomaram ele por um deus. Faziam isso com tudo que era mais forte que eles, o que não era difícil. Essa violência perdurou até encontrar NA e ZU novamente.

Evah e Adam foram colocados longe dali, para não provocarem mais ódio nos antigos e brigas entre os de sua espécie. Evah gerou da mesma forma que Lilitih e dois pequenos machos nasceram. Mais tarde deu à luz a duas fêmeas e essas crias, ao se ferirem uns aos outros, foi causa de mais guerras entre as criaturas aladas. Jaguar viu quando foi imposto ao Anjo belo que cuidasse do caminho da prole de Evah e Adam. Ele testemunhou sua queda para a mesma dimensão que estavam agora e como um grupo o acompanhou, um à um, par estabelecer uma nova ordem no caos que a geração humana havia desenhado para si mesma. Não acreditava que o tempo iria mostrar a razão de tudo aquilo ter acontecido e ele estava certo

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