Escavado na montanha onde ZU morava, estava o Salão do Conselho. Tinha
uma cúpula imensa, era inteiramente talhado na rocha e no centro um teto
abobadado delimitava o ambiente para discussões. Nesse dia, todos os habitantes
compareceram, menos NA. Seus pais estavam presentes vindos apressadamente para
a reunião. Não era uma situação usual e o assunto seria sua filha, as
consequencias do que havia acontecido e o que deveriam fazer frente a isso.
FAH tinha um sentido, como todas as mães, de saber o que seus filhos
sentiam e estava furiosa. Todos do Conselho a tratavam com cautela, pois sua
ira era famosa. A metamorfose não era vista há muito tempo. Suas consequências
eram conhecidas, mas não eram conversadas abertamente. FAH era da geração que
havia presenciado a outra metamorfose, mas nunca imaginou que seus filhos
viessem a vivê-la.
NA não esteve presente na reunião. Estava no deserto tentando se
recuperar do grande sofrimento vivido. O fato de estar sozinha irritou bastante
seu pai. ZU não foi ter com ela pois sentiu profundamente a metamorfose e não
sabia como reagir ao sentir NA tão transtornada. ZU, afinal de contas, era um
macho muito jovem para responder a isso de maneira apropriada. Pássaro de Fogo
também estava lá, mas como um enviado. Era apenas representante de uma
potestade maior e, se ela não pedisse, não poderia intervir.
O casal deixou claro que queriam seus gêmeos fora dali. Pássaro de
fogo, com um olhar pesaroso, lembrou que isso não poderia acontecer, pois a
aceitação da Grande Rainha fazia com que os gêmeos tivessem que completar o
tempo deles no local. Isso era algo definitivo e claro. FAH e a Regente
pertenciam a mesma linhagem. FAH, mesmo contrariada, sabia que era o único
caminho para seus filhos. Porém, ela conseguiu um acordo: ninguém mais
interferiria no desenvolvimento e aprendizado de ZU e NA que não a geração da
Grande Rainha e de FAH, todos de gerações abaixo nunca mais poderiam interferir.
Embora ZU estivesse presente, não pode compreender o que isso significava,
mas essa decisão incomum foi o gatilho de inumeras reações nas vidas dele e de
sua irmã pela eternidade. Assim, o Conselho se desfez e todos voltaram para
seus assuntos, com uma sensação única de estranhamento e novidade.
FAH saiu sozinha da montanha. Angustiada com a vibração que sentia,
voou a procura da filha que sofria. Achou-a sentada na areia, as asas caídas,
costas para a Cidadela, como sinal de rejeição, seu jovem corpo ainda
retornando da metamorfose. As garras e cauda estavam lá e viu sua filha
massageando a pele na tentativa de esconder o ocorrido. “Então é assim que uma
de nós fica com a metamorfose” – pensou. Achou que ela estava linda. Era uma
pena que sua filha estivesse sem poder ver a beleza que havia conquistado, e
conseguia antever como seria bela quando em sua forma de combate. Sentia
orgulho de que sua linhagem passasse a incluir uma fêmea assim, mas, naquele
momento, era apenas sua cria machucada e envergonhada de ser vista nessas
condições.
Era o que NA sentia, vergonha. Quando pousou na areia, pode ver o que
havia acontecido com seu corpo apalpando-o. O vento não tocava sua pele e seu
cabelo como quando chegou no planeta. A cauda era algo que não conhecia,
movia-se com brutalidade, as garras lhe pareceriam ótimas em qualquer outra
ocasião, mas o líquido negro que lhe escorria pelas pernas a lembrava do que
havia provocado aquilo e não a deixava perceber a metamorfose como algo bem
vindo. Viu com alívio a escuridão da noite, mas, então, vieram as lágrimas que
não sabia poder existir e percebeu que essa novidade não seria presenciada por
quem amava tanto. Seu gêmeo não estaria ali para lhe dar conforto. Levantou-se
em pavor, girava para os lados tentando entender a solidão, as lágrimas, o peso
da cauda, a pele com escamas. Não conseguia pensar sem a posição de conforto,
sem sentir os excessos de energia fluindo para seu gêmeo, sem as mãos dele ao
redor de sua cintura. Tentou levantar vôo, mas, para sua maior surpresa, não
conseguiu e não sabia que era devido a falta do gêmeo e do choro a
enfraquecerem. A dor veio em seguida. Sem processar os excessos, seu corpo doía,
e, embora o ventre continuasse a desinchar conforme o líquido corria, sentia
outras dores. Exausta, dormiu, mas as lágrimas e o líquido continuaram
correndo.
Na manhã seguinte, quando NA sentiu a aproximação de sua mãe, não se
animou, pelo contrário, entendeu sua condição era a pior de toda sua vida e
teve vergonha. Todas as fêmeas eram muito orgulhosas de sua linda postura, e isso
era algo que não tinha naquele momento. Não poderia fugir, seria uma ofensa
inimaginável. Não sabia como explicar o que tinha acontecido, nem a ausência de
seu irmão. A vontade de ser aninhada nos braços de sua mãe superou a vergonha e
NA, com as lágrimas correndo silenciosamente, olhou para ela em pé a sua frente
FAH ajoelhou e abraçou sua filha, ainda era um pouco maior que ela e a
envolveu como quando pequena. Pode absorver seus excessos para transmiti-los ao
seu pai, mais tarde. A metamorfose cedeu, suas asas se ergueram um pouco. Em
minutos ela respirava melhor, mas mãe e filha ficaram nessa posição por horas.
FAH entendeu o quanto NA estava machucada pelo tempo que levou para equilibra-la,
e esperou o necessario para que ela começasse a falar, e NA disse:
-Mãe, por que? Fiz algo errado?
-Não querida, mas lamentamos que tenha tido sua primeira interação
negativa tão cedo, tão jovem, como somente outra fêmea, há muito tempo atrás,
viveu.
-No que me transformei?
-Essa foi a forma do seu sistema absorver a essência do planeta. O
fator de seu Segundo marido foi o catalisador para o que a Grande Rainha enviou
diretamente para você. Não havia como predizer esse acontecimento. NA calou-se
nos braços da mãe. Podia entender o que ela falava.
Vendo a filha em melhor condição, FAH pegou-a pelos ombros, ergueu seu
rosto e falou olhando à fundo seus olhos:
-Você iria passar, cedo ou tarde, por uma interação negativa com algum
macho, em combate ou não. Mas existe um motivo para que isso tenha acontecido
da forma como aconteceu. É necessario que eu lhe explique algo, mesmo que você
não esteja preparada para entender. Nada até aqui está errado, nem sua
metamorfose é indevida, mas preste bem atenção ao que vou dizer, sim? NA
balançou a cabeça afirmativamente.
-Houve um incidente na gravidez de vocês. Nos primeiros meses de
gestação fui até as pedras sozinha, pois a necessidade de doses maiores para
vocês no útero me fazia ir mais vezes beber da água das rochas. Seu pai ficou
na montanha. Antes de chegar lá, encontrei um macho novo e sozinho. Ele era de
uma espécie diferente da nossa, que tem causado problemas em todos locais para
onde foram transportados. A gêmea dele estava por perto, pude sentir, mas ele
se comportava como se precisasse de esposa. Sua pele era azul, tinha cabelos e
eram negros. Não era agradável como seu pai. – parou para observar se ela
estava entendendo e continuou:
-Entramos em combate, eu estava com meu bastão, mas soube que, mesmo
sendo fácil vencê-lo, a energia de vocês estava diminuindo muito rápido e eu os
perderia. Um aborto faria seu pai ter de se afastar de mim por um longo tempo e
entendi que vencer aquele combate me traria perdas que não queria viver.
-Eu amava tanto seu pai e vocês! Vivemos tanto para poder tê-los que
outra gravidez levaria uma eternidade para nós. Estavamos prontos para vocês,
não poderia nos magoar as custas de apenas um combate, filha. Fiz a escolha de
ficar com quem amava e entreguei a luta.- os olhos de NA estavam arregalados,
não compreendia porque ela dizia tudo aquilo.
-Mas, mãe, o que tem isso a ver comigo e ZU? O que esse macho lhe fez?
-Foi uma interação negativa, filha. Essa espécie nova não está desautorizada
a interagir com nossas fêmeas e isso passou para vocês no útero. Não havia como
impedir a contaminação.
-O que isso fez em nós?
-Vocês tem mutações por causa dessa contaminação. Sua cor azul quando
nova e quando nervosa, por exemplo. A precocidade de vocês também. A espécie a
que esse macho pertence evolui bem mais rápido que a nossa.- NA se alterou:
-O que meu pai pensou disso? Ele combateu esse macho? Ele ficou triste?
Porque eu não vi tristeza em papai? FAH abraçou a filha.
-Você sabe que BÔ não precisa combater por mim. Aquele macho saiu
machucado o suficiente. Não seria próprio combater alguem tão ferido. Assegurei
que ele não fizesse isso com nenhuma outra fêmea, que não a gêmea dele, por
bastante tempo. Era o mínimo que podia fazer por nossa espécie.- fez outra
pausa e continuou:
-Seu pai ama vocês demais e eu o orgulhei por ter escolhido a nós. Ele
me amou mais por isso. Estamos mais fortes agora e temos vocês!
FAH ainda conversou algum tempo com a filha. Por fim, NA perguntou:
-O que faço agora? Para que vim aqui?
-Para treinar filha, para desenvolver aquilo que nascemos para fazer.
Você tem medo?
NA se ergueu e disse:
-Não mãe, eu quero isso.
-Então vá, estarei lhe vendo de perto. Obedeça IZAH, você terá muito
prazer nisso.
Separaram-se, FAH voou para a Cidadela e junto com BÔ foi transportada
de volta para a lua. NA se dirigiu para o acampamento.
A interação negativa causou uma diferença na energia de NA que levaria
tempo para se dissolver e esse desequilíbrio a fez não ser desejável para ZU.
Quando percebeu a rejeição de seu irmão mesmo estando a distância, NA voou para
o acampamento no deserto, sabendo que enquanto estivesse daquela forma não
adiantaria ir até seu marido. Isso a magoou sobremaneira, mas nunca seria de
sua natureza ficar quieta quando em desequilíbrio. Chegou ao acampamento e se
deu por inteira ao treinamento para o qual havia vindo ao planeta mãe.
Respeitaram seu silêncio e afastamento.
Não dormiu junto com as outras jovens fêmeas. Acordou na manhã seguinte
e sentiu que IZAH vinha ao seu encontro. Desde a metamorfose, sua capacidade de
antecipar movimentos havia se acentuado. Era mais uma surpresa no meio de
tantas e nada amenizava a falta que ZU fazia.
IZAH se dirigiu para o local que NA escolheu para dormir com
sentimentos contraditórios, algo raro nela. Nada em IZAH, nem em nenhuma daquelas
fêmeas, poderia ser definido assim. Agora sentia uma empatia muito grande pela
filha de FAH, mas também sentia ira ao vê-la passar por uma interação negativa
tão nova. Acorrentada? Certamente uma afronta. Antes se irritou com ela, mas
agora seria sua única treinadora, fez questão disso e seu pedido havia sido
aceito pela Grande Rainha. Se era uma metamorfose de combate, então faria dela
a melhor de todas as jovens fêmeas. Era filha de FAH e só isso já era bastante
para ser excelente.
Encontrou NA de pé aguardando um tanto assustada. Ela percebia que IZAH
não estava de bom humor.
-Se eu souber que isso lhe aconteceu de novo, eu mesma a punirei! Você
tem obrigação de se defender! Venha comigo e obedeça! - não retrucou, mas
pensou em como queria seu gêmeo ali.
Num local perto do acampamento, IZAH começou pelo vôo. NA tinha que
fazer os mesmos movimentos que ela. Voavam até o limite da atmosfera e desciam
em mergulho para abrir as asas no momento correto. Também foi treinada para se
algo desse errado, como pousar com o mínimo de ferimentos aprendendo a rolar na
areia. Nunca teve dificuldades em pousar, até que os treinos passaram para
pequenos vórtices de vento. Tinha de voar contra, com a areia cobrindo seu
corpo. Subir era penoso e descer dolorido. Não reclamou uma vez, bastava pensar
que ZU deveria estar ali e toda dor parecia tola.
Dos vôos em vórtices de vento foram para os de calor. Ali não se
enxergava o movimento do ar e somente a sensação na pele dava a direção a
seguir. Era bem fácil, mas a lição era mudar a direção das ondas de calor com a
posição das asas. NA viu a metamorfose fazer diferença. Não sabia quando vinha,
mas era automático. Ao menor sinal de perigo ela acontecia fazendo com que NA
detectasse algo pelo simples fato de sua estrutura mudar. Parecia que lidar com
ventos era mais seguro que com altas temperaturas.
Após um curto tempo, IZAH foi até o Conselho e comunicou aos presentes
que NA iria para sua primeira incursão a Grande Mancha. Um dos conselheiros
falou:
-Mas isso seria perigoso, ela não pode estar pronta tão cedo.
-Ela não teve medo da altura que a levei, não teve um pouso falho, sabe
se jogar em queda, controlou as temperaturas sem problemas. As escamas a
protegem da areia. Não há nada mais a ensinar, só a experiencia o fará.
Estaremos em três treinadoras e iremos fora de zonas de desequilibrios até que
ela esteja pronta.- mesmo assim o conselheiro retrucou:
-Acho que você esta confiando demais por ela ser metamorfoseada. O
acontecido foi uma fatalidade, isso não a torna melhor. - IZAH não estava
gostando muito da conversa toda e ele estava dando a oportunidade de falar o
que pensava. Embora não mudasse de aparência, a cor de todas as fêmeas mudava
quando irritadas.
-Claro que o fato de a filha de FAH ter sido acorrentada para que um
macho pudesse cumprir seu papel foi uma fatalidade. Mais ainda por não ter
podido aprender antes o que era uma boa interação com outros e a forma como ela
reagiu até agora, preservando a integridade física do Primeiro e Segundo
maridos, mostra que ela tem mais do que preparo, ela tem consciência que está além
da instintiva. Ela vai para a Grande Mancha e mais, que ela tenha sua hora de
postura o mais breve possivel, para que nós não tenhamos que fazer por ela.-
IZAH causou comoção no conselho:
-Você vai pedir o direito a postura em nome dela?
-Sim, nós iremos e vocês terão que dividir a energia. Aconselho
aos irmãos que rezem para que ela se poste antes de nós.
Os machos do Conselho olharam com desconforto uns aos outros enquanto
as treinadoras saiam. Conversaram entre si o quanto o direito a postura era
correto. ZU esteve presente, já que o assunto era sua irmã. Foi explicado que
era direito da fêmea se recuperar do que a havia ofendido em combate posterior.
Se NA não exigisse o direito, todas as fêmeas estavam planejando fazer em nome
dela e seus gêmeos e concubinos teriam de aceitar o combate. A situação que a
novata havia provocado não tinha como ficar pior. Rezar começou a parecer uma
boa idéia.
Ao anoitecer, voaram com NA até a Grande Mancha. Pássaro de Fogo estava
presente por ordem da Rainha. NA o via pela primeira vez depois do incidente e
ficou nervosa.
-Porque ele está aqui?
-Aonde vamos é território da Rainha e é para sua proteção.
-Eu não fiz nada errado!
-E não fará, ele é apenas uma testemunha do seu progresso. – aquilo não
a convenceu, pois ainda sentia muito forte todas as emoções que havia passado,
mas esqueceu instantaneamente, quando pode ver o tamanho da mancha no horizonte
que emitia um som compacto. Ali NA renasceu. Sua curiosidade a transformou de
imediato, acelerou a velocidade de vôo, mas foi detida por IZAH.
-Cuidado, preste atenção ao campo magnético! Pousaremos antes dele.
Então percebeu uma tênue luz, um escudo que parecia limitar a mancha,
mas contraia-se e expandia-se conforme a mancha o fazia. NA não conseguia se
conter e isso era sentido por seu gêmeo que a essa altura não passava bem, pois
NA estava em perigo real. A mancha era um espetáculo para os sentidos. Só pode
compreender sua vastidão quando estavam voando alto e a muitos kilometros de
distância. O som era potente mas não desagradável. Quando pousaram e pode vê-la
de perto, parecia-se com uma parede que mudava de cor, nos mesmos tons terra,
vermelho e ocre do planeta. Foi trazida de noite para que pudesse enxergar o
escudo que envolvia a mancha. A luz, produzida em ondas, era fosforecente azul,
como uma membrana fina e viva. Perguntou se podia tocar.
-Sim, mas com cuidado, não sabemos sua reação a ela.
Tocou-a delicadamente. Era líquida, mas oferecia resistência. Sentia
eletricidade correndo em seu corpo e aquilo a excitou muito. IZAH percebeu que
poderia se metamorfosear e queria que isso acontecesse dentro da mancha. Olhou
para Pássaro de Fogo que afirmou com a cabeça. Avisou NA:
-Precisamos achar um ponto fraco e entrar. Siga nossos passos. Lá
dentro faremos as mesmas manobras que você treinou antes e saímos, nada mais.
-Tudo bem. – seguiu as treinadoras que já haviam começado a escalada.
Sim, o campo magnético era resistente o suficiente, embora fino como uma folha,
para que se escalasse. A metarmofose já se iniciava, mas NA não sentia perigo,
somente prazer. Sentia que era feita para aquilo. Pensou em como era bom
experimentar algo diferente do que dor e saudade.
Em dado ponto, uma das treinadoras sumiu da vista e IZAH se dirigiu
para lá. Quando chegou sua vez, percebeu que havia uma falha no campo que era
suficiente para passarem uma por vez e, ao cair lá dentro, se atrapalhou no
vôo, pois era algo que jamais imaginara. Havia um olho no centro, onde os
ventos não sopravam e tudo ao redor era areia e calor. As luzes brilhavam, vez
por outra, perto do campo. No olho da mancha havia uma passagem que conectava a
atmosfera a um túnel imenso na formação rochosa. Quanto mais perto do fundo, mais
escuro, quanto mais alto, mais claros os padrões de cor. Era noite e só se
enxergava com a luz fosforecente produzida pelo campo. Não entendeu o que
produzia aqueles fenômenos,mas estava excitada demais para querer entender. Seus
sentidos lhe guiavam atrás de IZAH e fez todos os movimentos que ela fazia.
Nada lhe parecia difícil, pelo contrário. Se havia nascido para algo, era
aquilo.
Voando ao redor do olho da mancha, IZAH fez o sinal para mergulharem.
Perto da entrada da passagem na rocha ela desviou e subiu novamente. Fizeram
isso várias vezes mas quando IZAH achou que o treino estava indo bem, NA não
desviou da passagem. Continuou mergulhando, seus sentidos lhe guiavam, era como
nascer, era como descobrir os campos de maturidade, era como o amor que sentia
por seu gêmeo.
Desceu fundo, suas escamas escureceram e a armadura se fechou nas asas.
Continuaria até o fim, se não fosse por aquelas garras e um forte empuxo para
cima. Tentou ver as plumas de fogo dele e o que encontrou foi um ser negro, seu
couro brilhando e nada feliz. Era imenso, mas agora parecia com um macho.
Grudou-a na parede e olhou com olhos vermelhos e dentes afiados.
-Gosta de ser presa por garras? Porque parece que sim. Tem idéia do
perigo aqui?
-Pensei que pudesse ir até o fundo. Parece tão bom. Fiz algo errado? –
ele olhou para o fim da passagem e falou:
-Sim, minha Senhora, será feito. – voltou o rosto para ela e disse-
Você está considerada pronta para a Grande Rainha. Fico satisfeito porque não
sou sua babá, mas estarei olhando para o caso de você cometer outra
imprudência. Siga-me. – voltaram para a superficie e, no caminho, os dois se
transformaram. NA ficou curiosa em saber porque ele também podia se
metamorfosear. Ele também podia ler a mente dela:
-A minha espécie nasce assim, você ganhou isso por outras razões.
–falou secamente.
IZAH estava voando ao redor da entrada e observou cautelosamente os
dois. Pássaro de Fogo deu a mensagem da Rainha. Não questionou, era de se
esperar. Voltaram para o acampamento e foram relatar isso para o Conselho. NA
foi se deitar. Sentia-se viva, alerta, feliz, mas percebeu que seu ventre
começava a inchar e isso a lembrava do que precisava ser feito. Era hora de
exigir o direito a postura.
No comments:
Post a Comment
Note: Only a member of this blog may post a comment.