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Pesquisadora na area da mediunidade? Sim, mas mãe de criança pequena, produtora rural, portanto sem tempo, exausta. Não dá para ter comentarios, edições, produção de video, formatação, etc. email psychictaboo@gmail.com

Monday, November 6, 2023

O Oceano Profundo

 



Assim que o brilho dos gêmeos voltou, em NA com força, mas opaco em ZU, os seres do Facho de Luz acrescentaram um sonífero a água e adormecidos foram, novamente, transportados.

NA acordou com um longo suspiro. Sentia-se bem e, abrindo os olhos, viu que estava numa redoma transparente, como um quarto com vários andares de altura e um intrigante buraco preenchido com o líquido que viu no transporte e onde a nave havia mergulhado. Levantou-se e viu que estava vestida apenas com o cinto que sempre usava, sem as armas. Sua pele estava branca, seu cabelos vermelhos mudavam a cor com a luz azul esverdeada das águas fora da redoma e não estava metamorfoseada. Então se aproximou do que parecia ser o limite do ambiente. Olhando através do mesmo material da caixa que esteve presa, pode ver, pela primeira vez em sua vida, o Oceano. Era deslumbrante, e, para além, havia luzes de outras redomas, que se estendiam por uma extensa área. ZU não estava lá. Não sentia sua presença próximo a si. Colocou as mãos no rosto e pensou: “aqui vamos nós de novo!”. Como faria para achá-lo ficou martelando em sua cabeça.

Olhando ao redor, viu que o buraco era a entrada da redoma. Não compreendia como o líquido não entrava preenchia o resto do ambiente. Percebeu que haviam machos de uma espécie desconhecida soltos lá dentro com ela, todos com longos cabelos negros e todos famintos. Como eram bem menores, não se aproximavam. NA não se sentiu atraída por nenhum deles. Não eram hostis, mas eram machos sem sinal de suas fêmeas perto e NA já sabia como isso funcionava.

Passou um longo tempo olhando pela redoma e pensando em como achar ZU, até que sentiu que sufocava como se houvesse tocado em uma das espécies que habitava a lua onde nascera, muito parecida com eles, mas cujas peles eram verde e tinham fofos pelos nos ombros, extremamente venenosos. Como não havia encostado em nada, entendeu que era algo pelo qual ZU deveria estar passando. Não era agradável, mas pode rastrear o sinal que ele emitia. Era forte e muito dolorido. Desceu os degraus da entrada e, com determinação, foi atrás de seu gêmeo.

Não sabia como se locomover naquele ambiente. Teve alguma dificuldade e compreendeu porque estranhas peles haviam aparecido entre seus dedos, ainda na nave. Olhou ao redor e sentiu de onde vinham, agora, fortes imagens do que estava acontecendo com ZU. Sem muita graciosidade, nadou pela primeira vez e seu instinto lhe valeu novamente.

Enquanto nadava, recebia imagens de uma fêmea muito agressiva e bem mais velha em frente dele, seu aspecto não era ruim, pelo contrário, era grande, seu cabelos eram negros e fartos, sua pele mudava de cor, mas um vestido cobria seu corpo, o que, para NA, era muito estranho. Ela não era nada feia, mas seus olhos e sua energia eram algo muito, muito diferente do que conhecia, e se espantou ao não conseguir ver de onde vinha... era profundo demais. Outra coisa assustava: sua intencionalidade. O que vinha dela contradizia tudo o que conhecera. Sua agressividade iria assustar um macho bem mais velho, quanto mais ZU, e nadou o mais rápido que pode.

Machos como ele não gritavam. Sofriam terrivelmente, mas não emitiam som algum. Enquanto ela nadava até as luzes, sem ver nenhuma criatura, foi sentindo a surpresa e o desespero de seu marido. Ela já tinha passado por isso e sabia como ele iria ficar. Sentia que era muito pior ver ele na situação de dor do que viver ela mesma.

Quando definiu de qual redoma vinha o chamado, com uma piscina de entrada igual a sua, subiu os degraus. A saída da água para o ar era algo novo, a sensação nas pernas era estranha e causava muito peso em seu corpo, tendo de sentar nos últimos degraus. Olhou em volta e viu que ZU estava deitado numa cama em tudo parecida com a que tinha acordado. O local estava escuro, apenas uma fraca luz vinha das paredes. Ela conseguia sentir que ele não estava bem, seu corpo se contorcia como que com nojo. Estava nu, mas uma névoa negra, como tinta, cobria seus quadris. Ele chorava um choro lento, triste. Aquilo foi realmente demais para NA, dando-lhe forças para levantar e andar até ele.

Ele não conseguia enxergá-la, pois a imagem e a vibração da fêmea estava pelo quarto todo e era ainda muito forte. Ao tocá-lo, NA viu mais cenas do que havia acontecido pouco antes. A fêmea havia entrado na redoma cercada pelo líquido da entrada, flutuando ao seu redor. Seus olhos não se desprendiam de ZU, imobilizado-o. E foi assim, sem conversa, sem apresentações, que ela simplesmente encostou nele e como que devorou suas energias, deixando a sua que era escura e densa. ZU não conseguia absorver essa substância, pois a receptora de fatores era NA e isso não mudaria nunca. A surpresa, o não consentimento dele para essa relação, a nova energia, ficaram no campo áurico dele e não era agradável.

Não imaginava quem ela fosse, mas era agressiva demais. Olhou ZU, olhou ao redor e não viu ninguém. Sabia qual era o único remédio e não pensou em como iria reagir a energia que não conhecia. Lentamente se aproximou dele, cercado por todo aquele líquido negro, sabendo que ele não a sentia,mas ela precisou apenas se abrir, agradecendo vê-lo novamente, de não o ter perdido, aceitando a energia do que havia transformado seu amado gêmeo.

Aquela substância subiu imediatamente pelos seus quadris, circulando externamente, sem causar mal algum. Ela apenas olhava o rosto tão querido e continuava puxando tudo, até a dor e a incompreensão que ele sentia. Muito tempo ficou ali, até ZU começar a relaxar. O líquido estava quase todo em seu campo, agora, e não lhe causava dor. Quando ele abriu os olhos e viu que era NA e não a outra fêmea, chorou e abraçou-a. Seu fator voltou a circular entre eles, a cor de ambos mudou para azul e cabelos lisos e negros, como os machos que encontrou na outra redoma, cresceram até os ombros de ZU.

Ele havia mudado. Estava mais sofrido, mais alerta e falava mais. NA teve sua energia renovada e não percebeu que a substância que produziu era absorvida por muitos seres minusculos ao redor, chamando a atenção dos habitantes do local. Foram necessárias muitas trocas até que estabilizassem seus campos naquele ambiente novo. Então a conversa que ele não estava pronto para ter, depois do que o Segundo marido havia provocado, veio aos seus lábios e disse de coração:

-Preciso me desculpar por não ter lhe compreendido quando você sofreu. – NA percebeu que ele falava sem olhar em seus olhos, sinal de vergonha.

-Não estou machucada agora, ZU, você está.- ela disse, mostrando que fazia parte da vida.

-Ele lhe fez mal e não havia compreendido o quanto.

-Eu estou bem.

-Não pode estar... não ajudei você... não lhe dei conforto... não estive com você depois do que ele lhe provocou. – falava entre longas pausas -Você sofreu... eles lhe amarraram... não sabia como isso poderia doer.

-ZU, agora é a nossa dor e eu sinto você.- nunca imaginou que a experiencia com o Segundo marido fosse ajudá-la em algo.

-Não, NA, eu não me encontrei dentro de você, naquela hora, e isso não foi bom, isso lhe feriu.- tinha muita dor em seus olhos. Ela tentou modificar isso:

-Mas hoje pude lhe compreender e ajudar rápido. Você não precisou esperar muito. Senti seu chamado e vim rapidamente.- deu um grande sorriso - Estamos dentro um do outro! Nossos pais podem se orgulhar de nós!

-Eu não sabia que essa dor existia.-seus olhos mostravam a imagem da outra fêmea.-Não consegui desejar ela... não consegui, NA. Ela não parecia querer ter trocas, não estava sofrendo sem fator.

-ZU, ela era mais velha. Talvez da geração de nossa mãe. Você não podia falar, ela não deixaria!

-Mas seu Segundo marido não era mais velho, ele machucou você e eu permiti. Não quero que isso aconteça mais.- isso impressionou NA. Ele estava se posicionando e ZU não era do tipo de se posicionar sem escutar a opinião dos mais velhos.

Mesmo abraçando seu gêmeo e passando comforto enquanto dormiam, percebeu que a energia de ataque da outra fêmea, embora não mais nele, tinha deixado um rastro num canto do quarto, como um aviso de que retornaria. NA dormiu, sem medo, mas apreensiva.

Eles estavam na redoma já há algum tempo. ZU não estava melhorando o tanto que era necessário para sairem dali. Foi quando NA sentiu a forte presença de outro ser. A vibração era mais intensa do que havia sentido mesmo de machos bem mais velhos e ambos se levantaram olhando para a escada da entrada. Ela estava impressionada pela ferocidade da vibração que sentia e antes que pudesse falar algo... ele apareceu.

Seu gêmeo era um espécime claro, imenso como a irmã, forte e com calmos e grandes olhos claros. O que subia as escadas da piscina, lentamente, era alto, esguio, também muito forte. Seus olhos eram escuros, ferinos, sua pele ocre tinha algo que intimidava e seus cabelos negros brilhavam com a água escorrendo pelo rosto. Sem adornos ou armas, tudo nele era naturalmente agressivo. Quando seu olhar atingiu NA, a imobilizou. Estava chocada com a energia que sentia. Nunca havia visto um macho preparado para combate. Não sabia que eles também podiam nascer assim. A surpresa era tão grande quanto a curiosidade e ela não conseguia se mover.

NA,ainda estática, viu ZU ser chamado por aquele macho e segui-lo. Quando os dois sairam da visão dela, conseguiu se mexer e correu atrás de seu gêmeo. Fora da redoma havia um pequeno veículo que flutuava e seu irmão foi deitado dentro dele. Parou na metade da escada e protestou. O estranho veio até onde ela estava e segurou seu pulso firmemente, olhou seus olhos com dureza e disse, com secura:

-Você não pode ir. – mas como sentiu algo ao tocá-la, mudou de expressão. Virou a mão dela e deslizou os dedos por sua palma, subiu pelos braços e parou, voltando a encará-la. Falou num tom de voz surpreso e terno:

-Você é uma bela fêmea. Nunca vi nada assim por aqui. Espere por mim, quero conversar melhor com você. Agora, ele precisa ir para o ginásio. – e a deixou para acompanhar o veículo onde ZU parecia dormir.

NA não compreendeu o que poderia ser “ginásio” nem o que quis dizer com “conversar”. Achou estranho que, embora estivesse fascinada, não havia sentido atração por ele. O que a gêmea dele havia feito com ZU já deveria ter sido o suficiente em relação a energia do local, mas isso estava muito longe da verdade. A placa que não sabia possuir no peito manifestava seu primeiro efeito, amortecendo a intensidade de energias que entrassem em seu campo, boas ou não.

Ela voltou para a redoma, sua curiosidade provocava perguntas, mas como sentia que ZU não estava melhorando, a preocupação também aumentava.

Não esperou muito. Aquele macho voltou e, de novo, NA paralizou ao vê-lo subir os degraus, mas, desta vez, com uma lentidão de quem observa atentamente a presa. Quando percebeu a energia de caça nele seu sangue ferveu, sua curiosidade explodiu, pois nunca havia sido tratada como presa e nem por um minuto se ofendeu como aconteceu com PI. Entendeu que seria seu Terceiro marido, pois pode ver que era, sim, o gêmeo daquela fêmea agressiva que havia atacado ZU. Ele andou até onde ela estava sentada e ajoelhou apoiando-se nos joelhos de NA. Ele não tirava os olhos dos dela.

NA viu que só tinha a gêmea por esposa então tomaria a honrosa posição de Segunda, mas a primeira de outra linhagem e isso seria eterno. NA sentiu muita satisfação.

Ele não se dirigiu a ela com suavidade, como seu gêmeo ou o concubino. Tampouco com medo, como seu Segundo marido. A espécie à qual ele pertencia não se parecia com nada que houvesse visto, primeiramente porque ele, e não a fêmea, era preparado para combate. Sua energia era por demais diferente para conseguir segurar sua curiosidade deixá-lo tocá-la da forma que quisesse, como fez com o primeiro concubino,e assim, poder estudá-lo.

Ele percorria todo seu corpo com as mãos. Embora não fosse indelicado, seus movimentos eram rudes, urgentes. Sentiu muito prazer, mas percebeu que a escura tinta, que a gêmea dele também produzia, não estava sendo absorvida por ela. Lembrou-se que o mesmo havia acontecido com ZU.

Mais curiosa ainda ficou quando o viu, depois de muitas horas manipulando o corpo de uma NA muito interessada, ter um espasmo e expelir outra forma de substância que não conhecia. Era uma espuma branca que a envolveu principalmente ao redor dos quadris, mas que também não absorveu. Ele não falou uma palavra, embora desse para ver seu contentamento. Percebeu que NA não estava absorvendo seu fator e que não havia tido nenhum espasmo. Ele também era curioso.

Aquela fêmea era diferente de tudo que havia conhecido. Sabia da fama dela, todos sabiam de seus feitos no Planeta Mãe. Nunca havia tido trocas daquela forma que não com sua gêmea. Nenhuma de suas concubinas o fazia sentir-se faminto e isso não era normal . Quando viu que não estava dentro dos olhos dela, percebeu que a troca de fator não havia acontecido. Em vez de se sentir embaraçado, ficou muito interessado em descobrir o porquê. Levasse o tempo ou manobra que fosse necessário.

NA adorou vê-lo sentir tanta curiosidade como ela. Analisando-o, constatou que a energia dele era forte, densa e muito durável, mas não percebeu que ela mesma enfraquecia, já que estavam há dias no novo ambiente sem conseguir digerir as substâncias locais. O que havia ocorrido no passado voltava a acontecer. ZU voltou para a redoma, para vê-la caída na cama com aquele estranho deitado ao seu lado. Estava melhor e pode correr para sua irmã, sem prestar atenção em quem estava com ela. NA falou:

-Não estou absorvendo o fator, ZU. Não estou brava com ele, como com PI, mas não consigo absorver, desculpe. Gostei muito dele, estou feliz com esse marido, não sei o que pode estar errado. – o estranho havia acordado e observava os dois.

Ele gostou muito do que viu no gêmeo de NA. Ergueu-se e aproximou dele. Trocaram olhares, ele segurou o pescoço de ZU, numa clara demonstração de agrado. Sorria e ZU sorriu de volta, medindo-o dos pés a cabeça. ZU se acalmou, aquele macho lhes traria muita honra e gostou dele. NA pediu comforto para seu irmão e ele deitou-se a seu lado, sem deixar de olhar para o novo marido. Podia sentir a energia da fêmea que o tinha atacado e era, agora, sua Segunda esposa.

Nuvens coloridas começaram a transitar entre os gêmeos e NA observou como a energia dele era mais doce que a de seu novo marido e aquilo era muito bom. Ele estava macio e transmitia muito bem estar, diferente da aspereza e força do outro. Este estava muito interessado nas cores que transmitiam entre si. Analizava a nova esposa em detalhes para encontrar um jeito de lhe passar o fator. Percebia que o casal estava se enfraquecendo e não queria ver a triste história que passaram antes vir a se repetir ali.

Aproximou-se de NA e tirou-a de perto do irmão lentamente, mostrando respeito. Sem falar uma palavra mostrou que tentaria de novo. NA não foi agressiva, deixou que ele a segurasse enquanto sentia o fator de seu irmão equilibrá-la. Sentiu proteção em seus braços. Esses contatos atrairam, inevitavelmente, a nova esposa de ZU que entrava rodeada pela água como antes. Estava um pouco mais calma e NA manteve-se alerta, observando a situação.

Embora fosse angulosa e forte como o irmão, tinha um corpo de curvas cheias e seus cabelos, muito longos, eram volumosos e negros,flutuando ao seu redor. No seu rosto, belíssimo, brilhava um par de olhos azuis, frios, mas aparentemente felizes. Por estarem todos presentes, as apresentações foram feitas. A nova esposa se chamava Metvah e seu gêmeo Vethusta.

Ela permanecia calada, flutuava pelo quarto como se ainda estivesse na água, seus cabelos a envolvendo completamente. Quando chegou, a mancha que permanecia num dos cantos do quarto desapareceu. Ela avançou, como um jato de tinta, para cima de ZU, que não se moveu, apavorado, olhando para NA que ainda estava abraçada ao seu Terceiro marido. Vendo que sua irmã olhava tranquilamente para ele, transmitindo mentalmente que o defenderia, se fosse necessário, e o novo marido, que, com olhos bem arregalados e balançando a cabeça, deixava claro que era péssima idéia recusar sua irmã, como quem soubesse o que ela faria.ZU resolveu ceder completamente por era muita informação para processar.

A agressividade de Metvah assustava tanto ZU que o instinto de perigo fez NA reagir e a metamorfose aconteceu enquanto mostrava para seu novo marido a forma que transmitia conforto. Olhou para Vethusta com apreensão e viu que eles não estranharam suas escamas, que agora pareciam mais com a de um peixe, nem suas garras e asas. Vethusta não a soltou, mas sim ergueu-a do chão, examinando seu corpo com um grande sorriso de satisfação. Metvah pareceu se tanquilizar, talvez considerando ZU mais masculino quando metamorfoseado.

Ambos casais se adaptaram melhor uns aos outros depois da metamorfose, mas a tão necessária troca de fatores não aconteceu. Quando os novos esposos foram embora, ZU e NA puderam dormir em posição de comforto. Estavam em melhor condição do que na outra experiência que viveram, mas enfraqueciam a olhos vistos.

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