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Pesquisadora na area da mediunidade? Sim, mas mãe de criança pequena, produtora rural, portanto sem tempo, exausta. Não dá para ter comentarios, edições, produção de video, formatação, etc. email psychictaboo@gmail.com

Saturday, November 4, 2023

Tripoli


 

A vida foi plena para os quatro, agora perfeitamente unidos entre si. Vethusta treinava NA, ambos haviam nascido para combate e, por toda eternidade, o fariam com prazer. Metvah acompanhava ZU aonde ele fosse, demostrando carinho de forma calada e firme. Era uma situação que ele aceitava com receio. Ela mudava de humor muito rápido e a única forma de acalmá-la era trocando fatores. Fugir não era uma alternativa. Para um macho calmo como ele, esse relacionamento estava exigindo muito.

NA descobriu que o novo fator a havia transformado em nutriz para os numerosos seres elementais dali. Entendeu o significado disso quando, nadando para o ginásio, criaturas a rodearam, lambendo sua pele, carinhosamente, em busca de minerais que os sustentavam. Ao ver isso, ZU caiu na risada, que mudou para desgosto quando viram que ele também produzia a substância na pele.Para desespero dos dois, foram seguidos cada vez que se encontravam fora das redomas.

Também aprendeu que o Oceano Profundo, Intermediario e de Superfície eram berços de todos os tipos de vida daquele planeta. As fêmeas não eram nascidas para combate porque sua origem era voltada a fecundação e gestação. A beleza que produziam, a doçura do nascimento, o brilho das novas vidas encantou NA de forma irreversível. Ia ao berçário muitas vezes, pois as fêmeas frequentemente se encontravam lá em processo de gestação ou parto. Mesmo assim, o ponto principal daquelas vilas no Oceano Profundo era o ginásio e havia um motivo para isso.

Assim como em qualquer planeta, ali também havia um equilibrio entre criaturas do interior e exterior do núcleo. Eram os mesmos vórtices de energia que necessitavam de constante vigilância para reverter os desequilibrios. Os machos voltados ao treino para o vórtice eram chamados de controladores e NA seria a primeira fêmea, que se tinha notícia, a ter esse título no Oceano Profundo. Metvah era agressiva, mas era lenta como ZU e não gostava de nada que pedisse velocidade, como a que era necessária para as idas ao vórtice. Seu gêmeo já fazia um bom trabalho e não se interessava nem um pouco em ir junto. Porém, quando houve necessidade de seguir os controladores, somente a presença dela bastava para muita coisa não acontecer. Ela não gostava de confusão. Seu olhar podia gelar até mesmo seu gêmeo e sabia impor seu desgosto, quando assim achasse certo.

NA já havia visto, mentalmente, como era o cenário nos desequilibrios do vórtice dali, mas não entendeu as criaturas que viu fazendo parte dos combates, até que Vethusta lhes apresentou. Foi a primeira vez que viu baleias. Soube que haviam nascido naquele planeta e já eram consideradas uma espécie antiga. Elas gostavam de ficar ali, entre o abismo do vórtice e a vila, porque gostavam das luzes das esferas e do calor que vinha das chaminés do vórtice. Aprendeu que eram comandadas pela fêmea mais velha, considerada a Rainha. Haviam vários grupos, cada qual com sua governante. Eram muito inteligentes, passavam informação entre gerações, carregando muito conhecimento, mesmo quando jovens. NA e ZU gostaram muito delas e o mesmo aconteceu com as baleias, que decidiram chamar NA “aquela que é bela” e ZU “aquele que é amado”. Vethusta era chamado de “aquele que vence” e Metvah era “ Filha”, apenas. Elas davam novos nomes para todos que conheciam.

No contato com elas, os gêmeos aprenderam que para uma baleia não gostar de alguém é preciso muito esforço. Como são fortes, são também muito pacientes. Quando não gostavam de algo, tinham uma forma bem dolorida de mostrar, com um som agudo que imobilizava qualquer um. Eram sarristas, adoravam uma piada e rir. Tiravam sarro de tudo e todos. Não era possível ficar sério perto delas, principalmente dos machos, sem ouvir uma piada. Adoravam as crias de todas as espécies e eram muito maternais. Cuidaram de NA e ZU como se fossem parte do bando e se afeiçoaram muito a eles.

As baleias eram controladoras também. Vethusta explicou que as criaturas que tentavam sair do vórtice eram muito mais densas que as que conhecia no Planeta mãe e as baleias criavam “peso” na situação com sua massa corporal, sendo capazes de produzir, estando em bando, muita energia.

Quando o desequilibrio era muito sério, elas iam junto e em seus treinos iniciais, ficou óbvio que NA não conseguiria acompanhá-las. Nadavam muito rápido para uma fêmeazinha jovem que nasceu num deserto rochoso e tinha asas. Mesmo tendo desenvolvido membranas na nave de transporte, não era páreo para as nadadeiras das baleias e sempre chegava atrasada. Foi quando Vethusta trouxe um presente de Proteus especialmente escolhido para NA. Ela nunca mais iria esquecer aquele dia.

Trípoli chegou puxado por Vethusta. Era um cavalo de cor azul, crina negra, grandalhão e famoso por seu mau humor. A criatura mordia, dava trabalho para montar, mas era veloz e nisso ninguém o superava. Ele era orgulhoso disso... muito orgulhoso. Foi ódio a primeira vista. Ela nunca havia visto um cavalo e Trípoli sabia disso. Aprendeu que também tinham senso de humor, do tipo cínico. Jogou-a ao chão assim que ela tentou montar. Ela levantou metamorfoseada, querendo quebrar a porcaria da criatura, mas Vethusta a segurou. Trípoli, vendo a metamorfose, achou NA grotesca.

ZU tentou ajudar na décima tentativa de NA para montá-lo, pois ia ao chão assim que ele sentia suas escamas. Para maior irritação dela, Trípoli adorou ZU... achou-o perfeito e NA pensou que não havia criatura mais subversiva e mau humorada que aquela. ZU tocou seu focinho e conversou com ele, e, então, Trípoli deixou NA montá-lo. Isso foi para sempre assim, cada vez que era preciso ir ao vórtice, ZU pedia e Trípoli obedecia, levando NA até os campos de combate. Sim, pois Trípoli era briguento, mas obedecia incondicionalmente na hora da batalha. Sabia antes dela o local para onde deveriam ir e sempre os fazia chegar primeiro, seu orgulho ditava isso. Não conhecia o cenceito de medo e se fosse para entrar no combate, defendia NA com cascos e dentes, afinal, mesmo achando-a horrorosa, era seu trabalho e ninguem deveria se meter nisso. Ele ensinou NA a montar melhor que qualquer um. Nunca chegaram a se dar bem... ele era uma criatura altiva e cheia de julgamentos.

Mesmo se encantando de ver NA montada e querendo ensinar alguns truques, Vethusta não interveio. Ele também tinha montaria, mas a espécie que montava era assustadora. Era uma criatura amorfa, como Proteus que NA havia conhecido na caverna do ginásio e havia lhe presenteado com Tripoli. Era uma massa de cor ocre, quase sempre rodeada por uma densa névoa. Podia-se sentir sua agressividade à distância. Só interagia com o dono e foi por entender essa relação muito pessoal, que Vethusta deixou Trípoli e NA se entenderem sozinhos.

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