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Pesquisadora na area da mediunidade? Sim, mas mãe de criança pequena, produtora rural, portanto sem tempo, exausta. Não dá para ter comentarios, edições, produção de video, formatação, etc. email psychictaboo@gmail.com

Tuesday, October 31, 2023

O Povo Da Mata

 

Não foi fácil para nenhum deles sair da água e caminhar até a praia. Depois da despedida, ainda ficaram estudando conchas, moluscos, peixes e outras criaturas de arrecife que passeavam por entre suas pernas. Era uma profusão de cores que nenhum deles havia visto antes. A explosão de vidas ali era tão agressiva que causava assombro e alguma irritação, pois, para desprazer deles, muitas dessas criaturas também gostavam de lamber suas peles.

Quando puseram as cabeças fora da água, o espanto foi maior ainda. Não sabiam o que era uma praia, nem florestas. Nunca haviam visto uma árvore e não entendiam os sons que escutavam. NA e Vethusta foram os primeiros a tentar. Não era nem como sair das piscinas de entrada dos quartos que habitaram no Oceano Profundo. O peso que sentiam no corpo era muito maior e quando perceberam o vento na pele molhada, mergulharam imediatamente, pois lhes parecia assustador. Levou horas para que se acostumassem a novidade e pisassem na areia.

NA olhou para o céu e sabia o que era o astro que enxergava, mas o calor que ele produzia na pele e a intensidade da luz eram diferentes do Planeta mãe. Depois que sua pele secou e a estranha sensação da brisa no corpo molhado acabou, teve muito prazer em sentir o vento em seus cabelos, novamente, e, mais que tudo, adorou aquela espuma branca que as ondas produziam. Estava totalmente absorvida em senti-las no passar das ondas entre suas pernas, quando Vethusta, num arroubo de excitação, pulou sobre ela e os dois caíram na água. NA se levantou com o cabelo cheio de areia e, feliz, agarrou-lhe as pernas, arrastando-o para o fundo. Ergueram-se e olharam para ZU e, juntos, pularam sobre ele, levando-o para as ondas. Enquanto os três corriam, nus e desarmados, como loucos, pela praia, não perceberam que a única que não estava bem era Metvah. Ela não estava nem um pouco contente.

Assim que colocou a cabeça fora da água e sentiu seus longos e fartos cabelos grudarem em seu corpo uma repulsa imediata tomou conta de seu ser. Não se importou com o vento, nem com onda ou espuma. A areia em seus pés foi como o toque de um mau concubino. Andou alguns passos com muito nojo e sentou na areia, olhando os três malucos à sua frente. Abraçou suas pernas, seus cabelos cobrindo-a até os pés. De quando em quando olhava para a floresta e apenas odiou tudo. Metvah havia travado. Sua descisão de rejeição ao lugar e tudo que aparecesse ali já havia se consolidado dentro dela e só um ato de extrema importância mudaria isso. Mesmo assim, a partir daquele dia, as florestas tropicais que eram consideradas exuberantes, passaram a ser luxuriantes, devido a forte e incisiva energia da filha de Tétis.

Mas isso os três entenderam ao vê-la sentada como um animal acuado na areia. Não havia muito o que se pudesse fazer se um dos gêmeos não se sentisse bem no ambiente. Havia acontecido com ZU no Oceano Profundo e agora era a vez de Metvah não se adaptar. Voltar não era uma opção, havia um chamado, que se intensificava dolorosamente depois de completadas as adaptações de chegada.

A praia não era extensa e a floresta quase tocava o mar. O sol, NA nunca esqueceria, estava atrás de suas costas e ela soube aonde aparecia e desaparecia no céu. O chamado agora era uma mensagem que dizia para se aproximarem. Seguiram alguns metros dentro da mata, Metvah no meio para proteção do que pudessem encontrar. Até que viram que a pontas das arvores que enxergavam da praia, e que pareciam pequenas, eram imensas. Mesmo para alguém do tamanho deles, as árvores que viam eram largas e gigantescas e todos olhavam boquiabertos. NA falou para ZU que sentia a presença de um casal e a energia que sentia vir deles era muito agradável.

Quando tocaram as árvores, foram transportados para o topo delas de uma forma que NA não soube explicar. Cada casal de gêmeos para uma árvore diferente. Havia construções no topo dessas imensas árvores e NA viu que uma vila inteira habitava o topo das árvores. Viu que estava num quarto imenso com um canto cheio de almofadas. Não houve tempo para observar melhor o local, pois ela viu ZU muito espantado e procurou com os olhos o que o havia impressionado.

Antes que enxergasse o casal que estava em pé no canto, ZU correu e abraçou a pequena fêmea que sorria e brilhava. NA olhava rapidamente de um para outro, muito surpresa. A fêmea havia agradado seu gêmeo de uma forma que ela nunca havia visto. Era pequena, seus cabelos da cor do astro luminoso deles, a pele era dourada. O gêmeo dela era alto, o que era estranho pois geralmente eram da mesma altura, tinha cabelos, curtos, e eram da mesma cor dourada da pele. Ele e NA olhavam surpresos para seus gêmeos já trocando fatores. NA ficou preocupada pelo comportamento de ZU não ser apropriado. Ele mandava mensagens silenciosas para NA dizendo o quanto a pequena era macia e meiga. NA ficou constrangida, pois sentiu que o longo período com Metvah o havia modificado. Com certeza a pequena fêmea era tudo o que ele sentira falta e não lembrava.

Olhou para o Quarto marido. Comparava com as vibrações de seu próprio gêmeo e estava encantada. Aproximou-se e olhou-o fundo nos olhos. Estava imóvel e ela sentia o coração dele pulsar forte. Tocou sua pele e viu que era coberta por pequenos e abundantes pelos, muito macios, da mesma cor dourada. Aquilo a agradou muito. Ele a olhava intensamente, algo nervoso, seus grandes olhos cor dourada muito abertos e os músculos tensos, NA não entendia se por estar excitado ou com medo, pois recebia os dois sinais. Mas não se importou, pois a pele coberta por aquele pelo tão macio a fez passar as mãos pelo corpo dele todo abraçando-o encantada com o toque da sua pele naquele pelo.

Foi o recado que ele precisava...tinha sido aceito e ela seria sua esposa. Pode tocá-la, com cuidado, pois embora confiasse em seu instinto, ela era temida pela fama que a precedia e não seria fácil segurá-la se fosse atacado. Beijou-a devagar e foi bem recebido, então beijou-a várias vezes. Era mais bela do que imaginara e sua longa espera havia acabado. Sim, ela não sabia, mas era esperada ali e ele a cobiçava desde quando soube que viria  para o planeta. Além da energia dela ser muito forte, sentia tanta felicidade que precisou se deitar, puxando-a sobre si.

Quando NA se sentou sobre seu novo marido, os fatores começaram a circular velozmente e sua aparência imediatamente mudou. Seu corpo se cobriu de pelo e ela ficou completamente dourada, emitindo uma forte luz que acompanhava a cor agora amarelo ouro dos seus cabelos. A intensidade da luz era a mesma do prazer que ambos sentiam. NA nunca havia experimentado tanta energia, tanto prazer e felicidade como com aquele marido.Era uma surpresa. Uma honra que só não era maior do que a que sentia por seu gêmeo.Tudo era perfeito e certo naquele momento que durou várias horas. Quando as diferenças de energias se equilibraram e os quatro descansavam no piso daquela plataforma, NA soube que o nome de seu Quarto marido era Jaguar e a Terceira esposa de ZU chamava-se Aletah.

A troca de fatores continuou até o anoitecer, quando NA sentiu necessidade de descer da árvore para o chão da mata. Não compreendia esse chamado. ZU e Aletah não se largavam, então o chamado era para ela somente. Olhou para Jaguar em constrangimento, mas ele parecia saber o que estava acontecendo e explicou:

-Eu sei sim. É para você ir e participar das caçadas. Eu sei quem você é, todos aqui sabem que você é a que luta. Não vai ser diferente dos outros lugares que esteve. Você recebe o chamado para caça por isso e terá que ir sem mim. É seu chamado e estou muito orgulhoso de ter uma fêmea como você por esposa. Perceba as mudanças que o fator daqui lhe causaram e vá ver com seus próprios olhos a sua posição aqui. – ele estava feliz e NA viu que a forte natureza do chamado não poderia ser evitada, então desceu para o solo sozinha.

Seu corpo estava diferente. Era coberto por aqueles pelos dourados e era muito maleável. Desceu pelo imenso tronco da árvore de frente para o solo, usando suas garras e rabo. Num pulo gracioso, tocou o solo e viu, assim que se ergueu, um animal de cor negra e pelo reluzente, andando em círculos. NA não sabia o que era um felino, nunca havia visto um, mas era no que ela e os três haviam se tornado ali. Era a forma física que os casais recém chegados tomariam quando dentro das matas à trabalho. Não sabia o que era aquela criatura, mas sabia ser Vethusta e correu para ele que, quando a viu, pulou em sua direção. Abraçaram-se:

-Você está tão diferente, como pode ser? – estava muito curioso com as novas energias de NA e não perdeu tempo em trocar fatores com ela.

NA estava encostada ao tronco da árvore e foi tomada por emoções fortes. Estava sentindo prazer com Vethusta de uma forma que não havia atingido no Oceano Profundo. Depois do fator ser passado através do cristal que Tétis havia colocado em seu peito, NA só conseguia sentir prazer se seu gêmeo e Metvah estivessem perto. Ali não. Naquela primeira noite na mata, encostada na árvore e com os fatores de seus novos maridos e esposas, NA aprofundou a troca com Vethusta e o resultado foi muito forte. Seus corpos emitiam grandes jatos de energias, que não passaram desapercebidas para os habitantes locais e engrandeceu enormemente a mata, para profundo orgulho de seus pares. NA estava completamente integrada a seus maridos agora. Estava plena e fortíssima, modificando Jaguar, Aletah e ZU de forma intensa, porém, por infelicidade, Metvah não estava recebendo as energias e NA viu o porquê quando ela e Vethusta terminaram de estabilizar seus campos.

 NA encontrou Metvah dentro do oco de uma das árvores, olhando, sem se mover, nem mesmo piscar o olhos, para o que seria seu novo e Terceiro marido, Neruh. Perguntou para Vethusta o que acontecia.

-Ela não está se sentindo à vontade ainda e não consigo fazê-la sair desse oco de árvore. –  então ela entendeu que tinham um problema sério ali.

NA havia observado que ele havia absorvido fator de sua Terceira esposa, Nia. Uma imensa e negra fêmea, de cabelos negros lisos e muito compridos, belíssima e forte. Vethusta disse que havia gostado imensamente dela, mas terminou dizendo que, mesmo assim sentira falta dela, fazendo NA sorrir. Ele sabia que ZU tinha agora uma esposa pequena e doce e brincou que era justamente o que ele precisava depois de Metvah. Não estava sendo desonesto. Metvah era sua gêmea e esposa eterna, mas ele bem sabia do que ela era capaz e alguém suave para ZU era bem vindo. Talvez ele pudesse convencer Metvah a sair do oco da árvore.

Dando uma pausa com a pequena fêmea, ZU e Aletah se aproximaram de onde NA e Vethusta emitiram o chamado. A pequena nova esposa, com o maior sorriso que haviam visto, olhava para NA com adoração e isso nunca mudaria. Ela simplesmente os cultuaria como algo sagrado para sempre, para estranhamento profundo de NA.

Um novo ZU, mais forte, mais sábio, se aproximou do oco da árvore com segurança e estendeu a mão para Metvah, pedindo que ela saísse. Só ouviram um grunhido. Ela não se movia. ZU continuou com a mão estendida falando com ela em tom suave, explicando o que tinha acontecido com NA no Planeta Mãe e como não queria vê-la sofrer sem fator. Disse que entendia ela não gostar do novo marido, mas que tudo ficaria bem e que estava com saudades dela, que não os deixasse esperando.

Metvah olhou para a mão estendida dele, olhou para Neruh, que estava tenso como um felino que sente perigo, e acenou com a cabeça, iria sair. ZU voltou para o grupo que esperava ao lado da árvore, não dando tempo para ver o salto que Metvah deu. Quando se virou, viu Neruh ser atacado sem piedade. Seu trunfo era ser um macho grande e forte como Vethusta, e que se valeu dos seus dotes felinos para se defender da fêmea mais agressiva que já havia visto, e que seria sua esposa eterna.

O grupo estava paralizado com a violência que presenciavam, mas sabiam que nada podia ser feito. Neruh teria que se virar sozinho. Nem Vethusta se atreveria a ajudá-lo agora, não era louco. Todos se viraram e  foi ZU quem falou:

-Depois que acabar a gente recolhe o que sobrar dele.

Mais tarde os dois levaram o pobre macho para a enfermaria e tentaram consolá-lo dizendo que ela melhorava com o tempo, com muito tempo. Ele estava todo cortado, mas sorriu e disse fracamente que era excelente aquisição para sua linhagem e estava feliz. Só não foi seu dia de sorte.

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