No Oceano, organismos simples geravam criaturas
simples. NA e Metvah não eram parte dessas espécies, mas, sim, seus organismos
eram mais complexos, mas ainda eram muito jovens para gerar criaturas de seu
próprio nível de evolução. Elas geravam seres que, embora bem mais elaborados
que o restante dos habitantes, não tinham o mesmo nível evolucionário que elas.
O ritual de geração era mais complicado que da primeira gestação, necessitando
os dois casais de gêmeos estarem juntos, conectados e profundamente relaxados
para receberem os ovos fertilizados que, embora vindos de Tétis e Proteus,
teriam o fator dos dois pais.
A concepção acontecia no prédio do berçário, num
quarto com uma piscina preparada para isso. Havia água dentro, mas era mais
gelatinosa e sua temperatura era mais alta que a do Oceano. Embora fosse muito
curiosa, NA não quis investigar a diferença desse líquido. Sentia um torpor
agradável e seus sentidos estavam mais aguçados. Viu que ZU, Vethusta e Metvah
também agiam de forma sonolenta e reagiam rápido a estímulos.
Como em todos os momentos que sentia insegurança,
NA procurou o abraço de seu gêmeo. Sob o efeito daquele líquido, a forma como
passavam fator entre si estava alterada. Era mais forte, havia mais energia ao
redor e seu gêmeo era tudo o que ela desejava em horas assim. O nível de
excitação era tão grande que mesmo a calada Metvah se agitava nos braços de
Vethusta. Era claro o nível de felicidade dele, enquanto que ZU estava mais
voltado para abraçar tudo que NA produzia. A cor da água mudava conforme as ondas
de energia os atingia, até que, no ápice, as duas fêmeas, através de um facho
de luz que cobriu seus corpos, receberam os fetos em seus ventres e ali se
desenvolveriam até o parto.
Embora Vethusta não conseguisse participar de
treinos em períodos de gestação e parto, por causa da lentidão que causava em
seus movimentos, tanto ele como ZU não permaneciam o tempo todo na piscina do
berçário, mas Metvah e NA sim. O desenvolvimento dos embriões pedia isso. Não
sentiam falta da vida fora do berçário porque o estado de sonolência era
constante. Se assim não fosse, ZU realmente sentia que NA quebraria o quarto
todo em um arroubo de impaciência.
Quando o tempo de gestação terminou, os gêmeos se
reuniram novamente. NA e Metvah estavam agora em piscinas separadas, mas
conseguiam se dar as mãos e isso as confortava enquanto saiam do estado de
sonolência para uma agitação incontrolável. Os bebês saiam de seus ventres em
grupos, a cada contração, num total de vinte para cada mãe. NA não ficou
inconsciente, como em seu primeiro parto, mas ZU e Vethusta ainda necessitavam
tocá-los assim que saiam do ventre, produzindo uma membrana colorida ao redor
de cada um. Eram criaturas elementais e tinham nadadeiras maiores que as
membranas nas mãos de suas mães. Assim como da primeira vez, rodeavam os quatro,
formando um cardume de filhotes luminosos.
Os pais sairam da piscina novamente. Não tinham
instinto para estar com as crias. NA e Metvah ainda permaneceram um bom tempo,
até que os bebês foram transferidos para o berçário por não precisarem mais do aleitamento
materno. Não houve tristeza ao deixar as crias. Elas pertenciam ao Oceano,
embora estivessem conectadas aos pais para sempre. Mas havia um chamado mais
forte ecoando ao redor delas fazendo-as sair das piscinas e seguir para onde
estavam seus maridos.
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